Mulheres de Abril somos mãos unidas juntas formamos fileiras decididas ninguém calará a nossa voz
Maria Teresa Horta
A Revolução de Abril de 1974 abriu portas a profundas transformações na vida das mulheres e de toda a sociedade.
Desde logo a liberdade. Mas depois foi a consagração de importantes direitos económicos, sociais, laborais e culturais.
Novos gestos e novos desafios se retomaram. Foi a alegria de viver em dignidade.
Após 48 anos de ditadura fascista, naquela madrugada que tanto se esperava, o povo saiu às ruas e de braço dado com as Forças Armadas entoaram palavras de esperança na construção de um País novo.
Os cravos trazidos pelas mãos de mulheres encheram as praças e engalanaram canhões e espingardas.
Abriram-se as portas das prisões e o poder fascista foi derrubado. A participação popular deu asas à criatividade e à imaginação.
Irromperam desejos e anseios num ondulante mar de reivindicações, projectos e propostas.
As mulheres não calaram mais a indignação de se verem afastadas da vida política e social.
Não calaram a exploração e a subalternização no trabalho e muito menos a humilhação de ficarem confinadas à casa e à família.
Soltaram-se gritos reprimidos. Soltaram-se as vozes das mulheres a favor da igualdade, contra a guerra colonial, pela paz e a libertação dos povos.
A Revolução de Abril permitiu grandes avanços na lei e na vida das mulheres.
A Constituição de Abril, lei fundamental do País, consagrou valores e direitos com reflexos em todas as dimensões da sociedade que permanecem actuais e importa defender e aprofundar.














A trilogia fascista: Deus, Pátria e Família guiou a sociedade portuguesa até ao 25 de Abril de 1974. Este desígnio guiava o Estado português, a família portuguesa, os valores e a sociedade de então.
A maioria da população portuguesa era analfabeta, elemento essencial para a submissão e opressão; os direitos eram diminutos para a esmagadora maioria da população, mas para as mulheres eram inexistentes. A fome e a miséria eram generalizadas.
O trabalho fora de casa, era entendido como uma ameaça ao modelo familiar vigente. A independência económica das mulheres era considerada uma ameaça à continuidade da sua subalternidade perante a sociedade e perante a família.
À família cabia, como ainda hoje, um papel importantíssimo de reprodução do modelo vigente e de disseminação dos códigos sociais e de valores da sociedade portuguesa.
O papel da mulher resumia-se a procriar e a respeitar a autoridade máxima exercida pelos homens. Foi um tempo de escuridão, de silenciamentos terríveis, de profundas humilhações.
Durante a ditadura fascista, predominava a ausência de direitos que, no caso das mulheres era total.
Em 1968, nasce o Movimento Democrático de Mulheres que congrega mulheres lutadoras pela paz, pela liberdade, pelo pão. E acima de tudo pela dignificação das mulheres.
A revolução de Abril de 1974 representou para a população portuguesa, e para as mulheres em Portugal, uma gigantesca transformação social, económica, política e cultural que imprimiu um novo modelo socioeconómico. A consagração de direitos sociais, económicos e políticos imprimiu uma profunda alteração sistémica na sociedade portuguesa: abriram-se as portas, às mulheres, para um lugar digno na sociedade, em igualdade.
O processo revolucionário, a conquista de importantes direitos, a participação, desde o primeiro momento, das mulheres, lado a lado com os homens, na transformação de Portugal, provocou mudanças na sociedade e nos valores.
Uma revolução que construiu um património de direitos transversais que permitiu liquidar discriminações e quebrar séculos de subalternização das mulheres.
O 25 de Abril foi um movimento libertador pela democracia, paz, descolonização e desenvolvimento socioeconómico do nosso país.
No dia 2 de abril de 1976, dez meses depois do início dos seus trabalhos, a Assembleia Constituinte aprova a Constituição de 1976. Esta Constituição consagrou a igualdade entre mulheres e homens, em todos os domínios da vida, e cuja entrada em vigor determinou a revogação de todo o direito discriminatório então vigente.
O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) é uma associação de mulheres, fundada em 1968.