Queridas amigas,
Esta grande manifestação é o ponto alto das comemorações do Dia Internacional da Mulher.
O 8 de Março é uma data indelével que há mais de um século marca a construção da emancipação das mulheres de todo o mundo, em homenagem a todas as que se ergueram por esses valores e que merecem ser sempre actualizadas e lembradas.
Foram muitas as mulheres portuguesas que ousaram celebrar o DIM, enfrentando a opressão, a repressão e até a prisão ao tempo do fascismo. Nessa cumplicidade entre mulheres progressistas e arrojadas deram testemunhos da solidariedade com as presas politicas, deram palavras de solidariedade às mulheres dos países africanos vítimas das guerras coloniais, deram esperança à luta pela igualdade.
A todas essas mulheres se deve o dealbar do 25 de Abril.
Por isso, hoje evocamos e não podemos deixar de trazer à memória colectiva as lutas de muitas gerações de mulheres pela liberdade, pelo direito ao voto, pelo direito de acesso a todas as profissões, pela redução do horário de trabalho, contra a discriminação salarial, por direitos cívicos e políticos, pela igualdade na família, pelos direitos da mulher como cidadã, mãe e trabalhadora. Pela paz.
Tantos objetivos que marcaram as nossas lutas antes e depois do 25 de Abril e continuam a justificar a nossa caminhada.
O MDM assinalou o DIM, sempre com entusiasmo, e a certeza de que esta data une as mulheres na defesa dos seus direitos e na alegria de ser mulher, na determinação de construir um mundo mais justo, igualitário, de paz, de felicidade para todas e todos
No ano em que se comemora o 45º aniversario da Revolução de Abril, esta Manifestação revigora a exigência do cumprimento dos direitos e das conquistas de Abril, ampliando a luta pela liberdade e contra o branqueamento do fascismo que, subtil ou descaradamente espreita, uma exigência para que os direitos das mulheres se cumpram e não voltem atrás, ampliando a luta pela democracia, pelos direitos das crianças e para avanços nos direitos das mulheres.
Desta forma, a nossa luta prolonga-se, desenvolve-se e faz crescer a inesgotável força do MDM e das mulheres aqui presentes.
Estamos na rua e na luta.
Pelo cumprimento e respeito pelos nossos direitos e por uma verdadeira política de igualdade, inseparável dos valores de Abril do progresso social e do desenvolvimento do País. Pelo direito a ter direitos, pela justiça social, pela igualdade, progresso e paz.
A igualdade não tem idade – a igualdade é a razão da nossa manifestação
Estamos na rua e na luta.
Exigimos do governo português politicas que resolvam os problemas do povo e do país.
Pelo trabalho e pelo pão, exigimos produção.
Queridas amigas,
A Igualdade na Vida que reclamamos é inteiramente justa e necessária.
É justa e é urgente.
A realidade das mulheres impõe-nos uma politica que assegure a igualdade em todas as esferas da vida, a garantia de acesso ao trabalho e a não exclusão das mulheres em função da gravidez e maternidade, a garantia de carreiras profissionais, a promoção e o acesso a todos os cargos de chefia e direcção; a igualdade salarial entre homens e mulheres; o fim da precariedade no emprego que impede a realização de projectos de vida a tantas e tantos jovens.
A realidade das mulheres impõe que se dê realce e valor ao trabalho, ponha fim à desregulação dos horários – instrumento de intensificação da exploração laboral e obstáculo à conciliação entre a vida familiar e profissional; que faça cumprir os direitos de maternidade e paternidade, garanta a protecção na saúde da mulher em todo o seu ciclo de vida, garanta o direito à reforma e a uma pensão digna.
É Necessária e urgente uma política com as medidas que facilitem as tarefas familiares ainda demasiado concentradas na mulher e que lhe retiram o tempo para estudar, criar e viver.
Estamos na rua e na luta, porque:
A violência sobre as mulheres é uma trágica realidade e um flagelo que não pode nem deve ser naturalizado nem banalizado.
A violência sobre as mulheres é um flagelo social cujas causas mais remotas radicam nas desigualdades e discriminações que a natureza do capitalismo encerra, mas, outras causas, que não devemos descurar, radicam no sistema de dominação e opressão dominantes, na degradação de valores que o próprio sistema sustenta e ainda na falta de eficácia dos serviços públicos seja pela falta de articulação e coordenação entre serviços, não apenas os judiciais, como muitos insistem em fazer crer, mas de outros, de que destacamos a saúde, nomeadamente na sua vertente dos cuidados primários ou a escola e a segurança social.
Estamos na rua e na luta pela:
- exigência de uma eficaz garantia de protecção às mulheres vítimas de violência doméstica, aumentando os meios e as respostas efectivas do Estado, criando as condições para a independência económica e autonomia das mulheres e a sua inserção na vida social. Não acompanhamos o pendor emotivo que repisa estudos atrás de estudos, diagnóstico após diagnóstico, sem concretizar as soluções e omitindo os impactos negativos na vida das mulheres.
- combate a tentativas de naturalizar a prostituição e de legalizar o SÓRDIDO negócio, devendo o Estado tomar as medidas de protecção às mulheres prostituídas e de desmantelamento do sistema prostitucional porque, se trata de uma grave forma de violência contra as mulheres, que fere a dignidade e os direitos humanos de todas e de todos.
Caras Amigas e companheiras,
O lema do nosso X Congresso IGUALDADE NA VIDA. O COMBATE DO NOSSO TEMPO continua a ser o lema que enquadra a nossa acção, hoje e aqui, e seguirá nos próximos tempos, porque a igualdade na vida está por cumprir. Este X Congresso do MDM Foi um congresso cheio de confiança, um congresso que deixou um enorme lastro.
Expressão da unidade, coesão, alegria, revitalização da nossa organização, a sua maior riqueza reflecte-se no numeroso leque de novas dirigentes de todo o país que abraçaram “a causa” da emancipação das mulheres, trazendo novidade, inovação, energia criadora e potenciadora, capaz de dar mais força e eco ao Movimento Democrático de Mulheres.
Dar eco ao MDM, multiplicar a informação, calar aqueles e aquelas que teimam em deturpar ou ignorar a nossa mensagem, é hoje um desafio para cada uma de nós.
Dar eco ao MDM é responder ao silenciamento e à invisibilidade mediática a que nos têm condenado quiçá porque somos intransigentes e não abdicamos de princípios nem de espírito crítico.
Como sempre temos feito, responderemos ao desafio de dar eco ao MDM e voz aos problemas das mulheres com acções, com denúncias, com actos de protesto e projectos que nos orgulham por todo o país.
Estamos na rua e na luta por uma nova política, assente na justiça social e na melhoria das condições de vida das mulheres, pela melhoria das funções sociais do estado, e no direito das mulheres a terem direitos. Direitos na vida laboral, na vida social e na família – tempos para viver e ser feliz.
Precisamos e queremos um MDM mais forte. Um MDM mais forte para vencer as violências, as discriminações, as desigualdades e os obstáculos ou as “cascas de banana” que muitos nos querem lançar.
Somos um Movimento com a força da vida porque somos mulheres de coragem e de luta.
Estamos na rua e na luta
Porque o combate do nosso tempo, exige fazer cumprir a igualdade na vida, reforçar as nossas reivindicações e assegurar formas de luta que dêem resposta aos problemas concretos das mulheres.
Queridas Amigas,
Esta nossa manifestação é já um êxito que todas certamente partilhamos. Um êxito na participação empenhada e no processo de construção mobilizador que lhe esteve inerente. Mas o êxito será tanto maior quanto maior for a força que formos capazes de projectar nas lutas que temos pela frente, irradiando as nossas propostas.
Porque a causa da igualdade na vida é justa, por ela vamos continuar a agir!
Permitam-nos anunciar, desde já, que a Manifestação nacional de Mulheres vai continuar e aqui estaremos a 8 de Março de 2020. Contamos com todas e todos. Vamos ao trabalho, juntas construímos uma vida melhor e um mundo mais justo e de igualdade na vida.
Vamos à luta …
Viva o Dia Internacional da Mulher
Viva o MDM


