Foi com extrema indignação, que o MDM tomou conhecimento da seguinte situação:
– Uma trabalhadora da empresa Corticeira Fernando Couto – Cortiças S.A., de Lourosa, em Santa Maria da Feira, mãe de um filho diagnosticado com Síndrome de Asperger, e sem qualquer outro modo de sobrevivência, que não seja o seu salário, foi despedida, alegadamente, por extinção do seu posto de trabalho.
– Não aceitando tal situação, a trabalhadora decidiu recorrer ao Tribunal, que lhe deu razão e considerou o despedimento ilegal, obrigando a empresa a reintegrar a funcionária e a pagar-lhe uma indemnização.
– Os chamados “empregadores”, a partir daí, passaram a exercer represálias sobre a trabalhadora, obrigando-a a carregar e descarregar os mesmos sacos de 15 e 20 kg, ao sol, com temperaturas que chegaram a atingir mais de 40º, o que lhe provocou mesmo, e por diversas vezes, hemorragias nasais; negando-lhe o acesso às instalações sanitárias dos outros trabalhadores; atribuindo-lhe uma casa de banho, com tempo de uso controlado, e sem o mínimo de privacidade; pressionando os/as outros/as trabalhadores/as a não lhe dirigirem a palavra; negando-lhe o acesso ao parque de estacionamento da empresa.
Recordamos que, só recentemente, as trabalhadoras corticeiras, que representam mais de 30% da mão-de-obra do sector, viram terminar, no seu contrato colectivo de trabalho, a discriminação salarial.
Não esquecemos, ainda, que os “empresários” da indústria de transformação de cortiça, que tem um peso significativo no concelho de Santa Maria da Feira, foram muitas vezes referenciados como exemplos de manterem relações de trabalho violentas, sobretudo sobre as mulheres.
A história das mulheres corticeiras, de muitas estórias feita, tem revelado a crueldade de alguns patrões sem escrúpulos e sem humanidade. Aconteceu no passado, e continua a acontecer! Agora, no século XXI avançado, seria desejável que tivessem aprendido alguma coisa. Mas, a barbaridade continua!
Não se pode ficar indiferente. Por isso, o MDM transmite a sua mais profunda solidariedade para com esta mulher corticeira e para com todas as mulheres trabalhadoras, vítimas de assédio moral no local de trabalho. Transmite, igualmente, todo o seu apoio ao Sindicato dos Corticeiros, que está a acompanhar o processo desta trabalhadora.
O MDM não pode admitir que continuem a acontecer impunemente tais barbaridades, pelo que reclama que sejam, de imediato, tomadas as medidas necessárias para pôr fim a tal situação, sem o que não passarão de piedosas intenções, as medidas preconizadas pelos planos e programas para a igualdade.
A Direcção Nacional do MDM


