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MANIFESTAÇÃO NACIONAL DE MULHERES 2017 – INTERVENÇÃO DE SANDRA BENFICA


Queridas Amigas,

Recebam um forte abraço! Uma calorosa saudação a todos vós, muito especialmente aos milhares de mulheres que do norte a sul do país disseram «eu vou!» quando o MDM lançou o desafio de celebrarmos o 8 de Março numa manifestação nacional de mulheres, unidas a uma só voz pela igualdade, direitos, desenvolvimento e paz.

Uma saudação que estendemos às mulheres da Madeira que se manifestaram também hoje no Funchal pelos mesmo objectivos que nos trás aqui! Uma calorosa saudação que queremos estender a todas as mulheres portuguesas.

Esta é uma grande manifestação, onde está bem presente, forte e determinada, a voz das mulheres!
Uma grande manifestação de denúncia da desigualdade e da discriminação que persiste e se aprofunda e nos afecta na família, no trabalho | no plano social, político e cultural; de denúncia da sistemática violação dos nossos direitos enquanto mulheres, mães e trabalhadoras;
Uma grande manifestação de exigência do cumprimento de direitos; de exigência de respeito e de valorização do papel e estatuto social das mulheres do nosso país;

Uma grande manifestação de luta, amigas!
De luta contra a violência sobre as mulheres que nos humilha, fere e mata.
De luta pela dignidade e respeito pelos direitos humanos das mulheres.
Sim, esta manifestação impunha-se porque é justa e é necessária.


Porque todas sabemos e sentimos que os problemas mais urgentes das nossas vidas não estão resolvidos. E têm de ser resolvidos! Porque enquanto assim não for, a Igualdade não passará de um conceito vazio inscrito na lei, de uma palavra agitada ao sabor da propaganda dos que afirmam “que tudo está bem”, mas sem tradução nas nossas vidas quotidianas.
É porque a Igualdade amigas, Igualdade a sério é ter direito ao trabalho com direitos, é pôr ponto final à precariedade, ao desemprego, à sobre-exploração e aos ritmos avassaladores de trabalho; é não tolerar o assédio, moral ou sexual.

Igualdade a sério é combater hoje, agora e sempre a discriminação salarial; é lutar contra os baixos salários, pensões e reformas de miséria;
Igualdade a sério é valorizar o trabalho e os salários que são condição básica para a nossa independência económica e emancipação social; é concretizar os direitos das mulheres à segurança social em situação de desemprego, maternidade, monoparentalidade, doença profissional, deficiência, pobreza, velhice;
Igualdade….
Igualdade é proteger a função social da maternidade e paternidade, é denunciar a vergonhosa penalização que as mulheres grávidas e lactantes sofrem na contratação, na não renovação de contratos, na progressão na carreira, na avaliação de desempenho.

É condenar severamente a humilhação a que nos submetem quando nos obrigam a espremer a mama para provar que estamos a amamentar, como aconteceu às enfermeiras em dois hospitais no Porto; quando nos apelidam de egoístas e culpam pela baixa natalidade. É impedir que recebamos menos um terço do salário quando queremos ser mães como as mulheres na PSP. É impedir que o patronato nos negue direitos e nos persiga quando os exercemos como acontece às trabalhadoras do Modelo Continente ao requerem horário flexível ao abrigo da lei da parentalidade.
Igualdade a sério é respeitar e promover os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, é garantir serviços de proximidade e de qualidade, consultas de planeamento familiar, contracepção de urgência, rastreios do colo do útero e da mama, no quadro do SNS.

Igualdade é respeitar e defender a lei da IVG, que há dez anos pós fim às perseguições policiais, aos exames ginecológicos e aos julgamentos em tribunais das mulheres obrigadas ao aborto clandestino; às mortes e mutilações por complicações abortivas; às humilhações e indignidade para as mulheres. Lembram-se amigas do vergonhoso e cobarde golpe legislativo do PSD e CDS-PP em 2015, no último dia da legislatura, com o propósito único de atacar, desvirtuar e inibir a aplicação da lei da despenalização da IVG? Pela calada tentaram acertar
contas, fazer-nos voltar ao passado insultando a inteligência das mulheres roubando-nos o direito à vontade e à privacidade numa matéria do seu foro íntimo. Foi a prova provada que os direitos adquiridos tem de ser defendidos e quão importante é estarmos prontas para os defender!

Igualdade…
Igualdade é combater efectivamente a multiplicidade das violências que flagelam as nossas vidas. Combater todas, quer seja física, psicológica ou sexual, mas também nas suas causas e consequências | combater prevenindo e sensibilizando, mas sobretudo apoiando, e protegendo – sem burocracias, sem juízos humilhantes, garantindo os mecanismos necessários à assistência às vítimas.
Igualdade, igualdade mesmo a sério é recusar a tentativa abjecta de legalizar o sistema prostitucional, transformando os chulos em legítimos parceiros económicos e normalizar a violência sobre as pessoas prostituídas – especialmente as mulheres e as crianças. Trata-se, de um atentado à dignidade e aos direitos de todas as mulheres.

Daqui dizemos que estamos mais do que atentas a essa tentativa. ESTAMOS EM LUTA e por aqui não passarão! A prostituição não é opção | não é trabalho.
Regular, como pretendem alguns sectores, a que agora se juntou o PS, o sistema prostitucional é autorizar e legitimar uma das mais aviltantes formas de violência contra as mulheres e as crianças. É fomentar o tráfico de pessoas. Validar a prostituição significa um profundo retrocesso nos direitos das mulheres e crianças, e é a negação da própria igualdade! É CRIME!

Sim, esta é uma grande manifestação de mulheres que não começou nem termina aqui! Somos mulheres que sabem o que significa a resistência e quão determinante é a nossa luta organizada!
Por isso dizemos, “vai haver igualdade vai!” mas uma igualdade a sério! Os direitos das mulheres serão cumpridos, e o nosso papel na família, no trabalho e na sociedade será reconhecido. Mais cedo do que tarde, porque nós, nós não podemos, nós não queremos, esperar mais!
Por isso aqui estamos. Nesta manifestação que dá voz à determinação das mulheres por Igualdade a sério; plena igualdade, concreta!
Porque não há igualdade sem Direitos. Não há igualdade sem justiça social.
Não há igualdade sem desenvolvimento. Não há igualdade sem Paz. Não há igualdade sem a
participação das mulheres.
Viva as mulheres portuguesas
Viva o MDM – Movimento Democrático de Mulheres

Lisboa, 11 de Março 2017