Amigas e companheiras
Em nome do Movimento Democrático de Mulheres, da sua Direção Nacional, dos seus Núcleos, saudamos todas as mulheres que construíram e participaram nas centenas de iniciativas que tiveram lugar em todo o País, no dia 8 de Março, Dia internacional da Mulher, promovidas pelo nosso Movimento ou em parceria com entidades, autarquias e organizações. Saudamos os muitos milhares de mulheres que aderiram com entusiasmo e alegria à Manifestação Nacional de Mulheres.
Viva a luta das mulheres em Portugal e no Mundo!
Sim! As comemorações desta data assumem uma enorme diversidade de que o MDM se orgulha de ter sido construtor e dinamizador desde a sua formação em 1968 até ao tempo presente dando um forte contributo para que este dia e esta data seja um importante símbolo da luta das mulheres em Portugal pelos seus direitos e uma expressão muito viva da solidariedade com a luta das mulheres em todo o mundo pela igualdade e pela paz.
Consideramos não haver desculpa para que as acções do MDM, incluindo esta Manifestação Nacional com forte expressão no passado dia 5 de Março tenham sido completamente silenciadas pelas televisões, incluindo a televisão pública e por outros órgãos de comunicação.
Um silêncio que não atinge só o MDM, mas silencia igualmente os problemas e aspirações que este Movimento projecta na comemoração desta data.
Continuaremos a intervir em defesa do direito à informação plural, conscientes da força de Ser Movimento, da Razão de ser Democrático e com a alegria de sermos mulheres.
Não há silêncio no espaço mediático que apague o apoio concreto e a confiança sentida pelos núcleos do MDM, por parte das mulheres a quem nos dirigimos de Norte a Sul do País no âmbito desta comemoração.
É com esta determinação que o MDM irá continuar a intervir, com a renovada energia das suas aderentes, activistas e dirigentes em torno do conjunto de problemas e reivindicações que estiveram no centro destas comemorações do 8 de Março, rumo à realização do seu 11o Congresso que terá lugar a 29 de Outubro
em Lisboa.
É com a certeza da luta que travamos todos os dias que faremos do dia 8 de Março de 2023 uma forte jornada de luta em defesa dos direitos das mulheres, um dia de forte ligação do MDM com as mulheres que estudam, trabalham e vivem nas diversas regiões do País e de novo realizaremos a Manifestação Nacional de Mulheres, a 4 e 11 de Março, no Porto e em Lisboa, momentos altos da projecção da força e vontade das mulheres em defender e exercer os seus direitos.
Queridas Amigas e Companheiras,
Valorizamos, e muito, os avanços conquistados com a luta de gerações de mulheres, ao mesmo tempo que assumimos a actualidade da luta das mulheres, em que assumimos o papel próprio do Movimento Democrático de Mulheres na luta que é necessário continuar contra as desigualdades, discriminações e violências sobre as mulheres e que permanecem como uma realidade em Portugal e no Mundo.
Assumimos, hoje e sempre, a força da nossa solidariedade com as mulheres num mundo cada vez mais injusto, desigual, instável e violento, onde estão presentes vários cenários de guerra, inclusive na Europa. A nossa solidariedade com a luta das mulheres, em diferentes países, que lutam contra os retrocessos nas suas condições de vida e de trabalho, agravadas no contexto do COVID-19, com a sua luta em defesa dos seus direitos, contra a guerra e pela paz.
Assumimos a solidariedade com a luta das mulheres em Portugal em que a sua situação está muito longe de ser vivida em igualdade.
Todas estas razões estão bem visíveis nas diversas iniciativas do movimento para celebrar o DIM, destacando-se a realização desta sexta Manifestação Nacional de Mulheres organizada pelo MDM.
Esta manifestação teve forte expressão no Porto, com mulheres dos distritos de Aveiro, Braga, Bragança, Coimbra, da Guarda, de Viana do Castelo, de Viseu e dos concelhos do distrito do Porto trazendo consigo as reivindicações mais sentidas pelas mulheres nestas regiões e a forte convicção de que Guerra Não! Paz Sim!
E está com forte expressão, aqui em Lisboa, com a força das mulheres dos distritos de Beja, Évora, Portalegre, Litoral Alentejano, Faro, Castelo Branco, Santarém, Leiria. A todas saudamos. Saudamos a juventude que marca forte presença na Manifestação.
Esta Manifestação é expressão da força da unidade das mulheres na denúncia dos seus problemas concretos, impeditivos de uma verdadeira igualdade na vida, e da vontade de lutar pela concretização das suas aspirações, enquanto trabalhadoras, cidadãs e mães a uma vida melhor, numa sociedade mais justa, sem discriminações, injustiças e violências. Representa uma afirmação da determinação, da força de vontade das mulheres, que não colide nem substitui outras formas de luta.
Uma luta que vai continuar, em que o MDM continuará a agir e a lutar porque não há desculpas para as mulheres continuarem a integrar o rol dos que empobrecem trabalhando, a serem fortemente penalizadas pelo desinvestimento ou privatização dos serviços públicos essenciais, a verem os seus rendimentos diminuírem, a serem sujeitas a várias discriminações no trabalho, na sociedade, nomeadamente em função da maternidade.
Não! Não pode haver desculpa!
A lei estabelece a igualdade, mas a nossa vida grita que está longe de ser alcançada.
Como se pode viver em igualdade quando o salário ou pensão não chega para garantir uma vida sem incertezas ou sobressaltos? Quando persistem as discriminações por maternidade? Quando se vive numa sociedade que oprime e subjuga uns em favor de outros? Como se pode viver em igualdade numa sociedade onde se instiga o medo, onde se despreza a Paz?
Como se pode viver em igualdade quando não é cumprido o direito ao trabalho e ao trabalho com direitos, igualdade salarial, a ter salários valorizados que combatam a pobreza, que não atirem mulheres para situações de violência e exploração extrema como a prostituição ou o aluguer ou venda de partes do seu corpo?
Como se pode viver em igualdade quando não existem mecanismos adequados de proteção e prevenção da violência doméstica, não se assegura o direito à Saúde para todas as mulheres ou os adequados níveis de proteção social no desemprego, na doença, na maternidade e na velhice?
Os direitos das mulheres não podem esperar!
Não deixaremos em mãos alheias a luta contra o aumento do custo de vida, os baixos rendimentos e falta de direitos no trabalho, aprofundaremos o combate às causas económicas, sociais e culturais de exploração e de todas as formas de violência que se abatem sobre largos sectores de mulheres, contra todas as formas de opressão e discriminação.
Para nós, a igualdade na vida alcança-se com políticas que tenham impacto nas nossas vidas, que concretizem a igualdade que existe na lei.
Continuaremos a exigir:
O investimento nos serviços públicos, com o reforço de trabalhadores e meios, garantia de redes públicas de creches e jardins-de-infância, centros de dia e lares.
Mais e melhores transportes públicos, habitação condigna e acessível.
O reforço da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde e a valorização dos seus profissionais, num sector onde a maioria são mulheres.
A valorização do trabalho e das carreiras profissionais, incluindo no SNS, o aumento geral dos salários, a garantia de salário igual para trabalho igual.
Melhor proteção social no desemprego e na doença, aumento das pensões de reforma e de apoio às pessoas com deficiência.
O reforço da prevenção e combate à violência doméstica, ao tráfico de seres humanos, e que a prostituição seja reconhecida como exploração e uma grave forma de violência sobre as mulheres e crianças.
E continuaremos a exigir a Paz! Não aceitamos as guerras e as escaladas militares porque sem Paz não há igualdade!
A todas dizemos que podem contar com o MDM e o Movimento conta convosco para dar força à nossa luta para alcançar a igualdade na vida!
Viva o Dia Internacional da Mulher!
Viva a luta das mulheres em Portugal e no Mundo!
Viva o MDM!
Lisboa, 12 de Março 2022


