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Acto Público, SIM à PAZ ! Não à NATO ! – INTERVENÇÃO REGINA MARQUES

Acto Público, SIM à PAZ ! Não à NATO !
Lisboa, 8 de Julho de 2016
Regina Marques

Em nome do MDM, saúdo mulheres e homens presentes nesta concentração, saudamos as dezenas de organizações que convocaram este acto público para condenar os objectivos da Nato nesta Cimeira de Varsóvia que hoje e amanhã decorre sob a égide do expansionismo, agressão militar e do alargamento da sua acção, ao serviço dos EUA.

Da designada “vocação atlântica” aquando da sua fundação em 1949, que o governo fascista de Portugal apadrinhou, hoje a vocação da NATO, ainda que encapotada é global. A NATO, braço armado do imperialismo, já não conhece fronteiras, dispõe de mais e mais sofisticados recursos militares, efectiva gastos sumptuosos em armamentos que instalou e pretende instalar mais em territórios da Europa de Leste, do Médio Oriente, da África, da América latina, da Ásia. Procura estender os seus tentáculos por todo o planeta, com mais rapidez e com uma intervenção militar extensiva a todo o tipo de problemas emergentes, do social ao político.

Vivemos um tempo muito perigoso. A ofensiva do imperialismo liderada pelos EUA, NATO e UE estende-se a todos os continentes. À crescente militarização de enorme alcance mortífero, associam uma guerra económica e financeira, uma guerra mediática, toda ela assente na mentira, manipulação e deformação dos factos, estendendo a violência e destruição impiedosas sobre as pessoas e bens, incluindo sobre o património cultural da humanidade.

Actos terroristas, acções golpistas, o desrespeito e a violação de direitos e liberdades, rudes ingerências políticas nos países que procuram legitimamente caminhos alternativos, a sua independência e soberania, são os traços que marcam a actualidade desta ofensiva.

Caros amigos e amigas
O MDM e o mundo conhecem as violações e violências a que as mulheres são sujeitas nos territórios ocupados e afectados por conflitos armados, perpetradas pelas forças militares ao serviço da Nato. Por isso não nos deixamos seduzir pelas recentes compromissos da NATO e da EU no sentido de incluir as mulheres nas suas forças operacionais de segurança, como chefes de missão e de comando. Reafirmamos que para o MDM, Mulheres e homens ao serviço da NATO não são agentes de paz, como eles dizem, são sempre executantes de guerra, de guerra violadora de vidas e de direitos. A inclusão de mulheres nos comandos da NATO visa dar cobertura às suas acções agressivas e injustas. Procurando tirar partido da crescente determinação das mulheres na luta pela igualdade de direitos procuram atenuar a sua resistência e indignação. No fundo, visam condicionar e baralhar ideologicamente as mulheres e as forças organizadas que no terreno lutam pela sua independência e pela sua soberania, reivindicam qualidade de vida e paz.

Contudo, sabemos que, ao contrário da propaganda do imperialismo, crescem as denúncias das mulheres individualmente ou colectivamente sobre todo o tipo de violências e violações que uma guerra comporta e à qual as sujeita. Também por isso aqui estamos. Acreditando que a paz é possível em nome dos direitos das mulheres e da inviolabilidade da sua condição humana.

Paz Sim, NATO Não
O MDM está comprometido com a causa da Paz, da cooperação, do progresso e da justiça social, condições indispensáveis para a dignificação das mulheres portuguesas e para o cumprimento do direito à igualdade na lei e na vida. Por isso,
• Rejeitamos a participação das forças portuguesas em agressões militares da NATO a outros povos, como acontece nomeadamente na Líbia, na Síria, no Afeganistão, de onde chegam milhares e milhares de pessoas a engrossar o número de refugiados que, desalentados, rumam à Europa na ânsia de sobrevivência. A engrossar também o número de vidas perdidas nesse mar mediterrâneo, que é hoje o maior cemitério transfronteiriço, mas também a engrossar o número de crianças abandonadas com as suas vidas desfeitas. Tudo isto, no quadro de uma União Europeia a 28, com uma notável incapacidade de dar resposta, ainda que sempre ciosa de dar lições ao mundo.
• Afirmamos ser urgente a dissolução da NATO, o fim das armas nucleares e de extermínio maciço, o fim das bases militares estrangeiras e o desarmamento geral e controlado. Daremos o nosso contributo pela Paz e contra a corrida armamentista deste poderoso bloco militar e contra a ânsia expansionista do imperialismo.

Permitam-me, para acabar, que traga até nós palavras de Maria Lamas, jornalista e escritora portuguesa, presidente honorária do MDM, incansável lutadora pelos direitos das mulheres e pela paz, que viveu a 2ª guerra mundial e suas consequências, membro durante muitos anos da presidência do Conselho Mundial da Paz:
➤ “A Humanidade evoluiu e aprendeu, através da mais cruenta experiência, que na guerra, tanto as derrotas, como as vitórias, correspondem a sacrifícios, destruições e angústias, que são a negação flagrante de todo o progresso, de todos os princípios construtivos e civilizados. (…)”¹
➤ “A Paz é uma espécie de Revolução”, (…) só na Paz é possível a renovação de cada mulher, de cada homem… porque o grande inimigo da humanidade é a guerra… Por isso quando apelo às mulheres portuguesas «Paz! Paz!», apelo a que de mãos unidas transformem o mundo e se conquistem como seres humanos de plenos direitos…”²
➤ “Povos felizes são povos que têm trabalho garantido, que não têm fome, que não sofrem perseguições, que desfrutam de uma vida pacífica.” (…)
➤ “Qualquer guerra que se desencadeie propaga-se de imediato. Os focos de guerra existentes são uma ameaça permanente. Já vi muitas guerras, tenho uma experiência de vida que me leva sempre à mesma conclusão: o direito das pessoas a uma vida equilibrada, sem exploração, é inadiável e irreversível.”³

Continuam vivas e actuais as palavras de Maria Lamas.
Para Dizer Alto: Não à NATO. Sim à Paz.

Hoje, o MDM junta a sua voz às demais organizações aqui presentes. Com unidade e luta, a Paz é possível! É a Revolução que esperamos! Para que o mundo e o nosso País, sigam em frente para o progresso e o desenvolvimento, para retomarmos em Portugal os caminhos de Abril.

¹ in LAMAS, Maria, PASCOAES, Teixeira de, Duas Conferências em Defesa da Paz, Porto, Associação Feminina Portuguesa para a PAZ, 1950.
² In Helena Neves, «Maria Lamas, uma vida no feminino colectivo (II)», in O Diário, Literatura, de 11 de Abril de 1982.
³ Fernando Dacosta, «Maria Lamas: a mãe-coragem de uma geração», in Jornal, de 12 de Março de 1982.