28 de Maio – Dia Mundial da Saúde da Mulher
É PRECISO CUMPRIR OS DIREITOS DAS MULHERES!
A saúde da mulher é inseparável do seu bem-estar, da prevenção da doença e do respeito pelas suas características individuais e necessidades ao longo da vida. No entanto, as desigualdades
sociais e territoriais continuam a limitar o acesso a cuidados fundamentais, como rastreios, consultas, informação sobre o ciclo reprodutivo, interrupção voluntária da gravidez, e apoio na
gravidez, parto e pós-parto.
No contexto de carência de desinvestimento e falta de profissionais no SNS, aumenta o sentimento de insegurança durante a gravidez e o parto. O encerramento de urgências
obstétricas e pediátricas, o aumento da mortalidade materna e infantil e a precariedade na resposta, quer ao nível dos centros de saúde, quer urgências hospitalares têm consequências
diretas na saúde e nos direitos das mulheres. Mulheres jovens e adultas têm o acesso dificultado ou até mesmo impossibilitado à informação clara e a cuidados específicos.
Grávidas percorrem longas distâncias para serem assistidas, cada vez mais partos ocorrem nas ambulâncias, triagens telefónicas representam mais burocracia e atrasam atendimentos urgentes,
uma simples consulta pode demorar vários dias. Estas situações comprometem direitos essenciais e a própria dignidade da mulher.
Reforçar o acesso à informação a todas as mulheres sobre as transformações ao longo da sua vida desde a menarca à menopausa, sobre o planeamento familiar, nomeadamente sobre todos os
métodos contracetivos actuais incluindo a contracepção de emergência e sobre os seus direitos no acesso às consultas de IVG, é garantir que cada mulher possa decidir, com liberdade e
consciência, sobre o seu corpo e o seu futuro. É garantir que têm escolha.
Sem um SNS público, gratuito, acessível e com resposta plena, as mulheres não vivem em igualdade. A sua emancipação exige cuidados de saúde que respeitem a diversidade de contextos:
sociais, culturais, de identidade ou nacionalidade. É urgente reforçar os serviços públicos, como o SNS para garantir segurança, privacidade, liberdade de escolha e confiança para todas as
mulheres.
A saúde sexual e reprodutiva das mulheres é central para a sua autodeterminação.
O MDM reconhece que, apesar das dificuldades, o SNS continua a sobreviver, graças ao empenho dos seus profissionais. Defendê-lo é garantir o direito à saúde das mulheres e melhores condições de trabalho para quem cuida. Os direitos das mulheres não podem esperar mais!
O MDM, insiste na urgência de reforçar o investimento no SNS, nomeadamente:
- Valorizando os seus profissionais, as suas carreiras, melhorando as remunerações e as condições de trabalho única forma de fixar os profissionais de saúde no SNS, acabando com os
vínculos precários e garantindo formação contínua; - Assegurando o reforço de médicos e enfermeiras nos cuidados de saúde primários e hospitalares evitando o encerramento de maternidades e de urgências;- Desenvolvendo campanhas consistentes no esclarecimento e informação incentivando a adesão das mulheres aos rastreios do cancro;
- Acabando com a pré-triagem telefónica obrigatória das grávidas no acesso às urgências hospitalares e assegurando o acompanhamento na gravidez, parto e pós-parto;
- Reforçando uma informação acessível a todas as mulheres sobre os múltiplos aspetos relacionados com a prevenção das doenças de transmissão sexual (DTS) e promoção de uma
sexualidade saudável e da saúde reprodutiva, que potenciem o conhecimento, identificação e acompanhamento das transformações da mulher ao longo de todo o seu ciclo de vida; - Garantindo o acesso universal e gratuito aos contraceptivos mais adequados e à contracepção de emergência, ao aconselhamento mais conforme, tendo em conta diversas comunidades, no período pré-natal e no pós-parto;
- Melhorando os procedimentos e a articulação entre os diferentes intervenientes nas consultas para a IVG, assegurando assim o cumprimento do seu dever assistencial;
- Promovendo políticas de saúde mais eficazes para as imigrantes e para grupos de risco nomeadamente: as mulheres vítimas de tráfico sexual, de prostituição, de violência doméstica,
assim como às vítimas da prática de mutilação genital.
Mais do que nunca, os cuidados de saúde das mulheres não podem esperar!
É PRECISO CUMPRIR OS DIREITOS DAS MULHERES!


