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DIA INTERNACIONAL DA MULHER 2016 – INTERVENÇÃO DE SANDRA BENFICA

Queridas Amigas, Prometemos fazer aqui hoje uma grande manifestação de alegria, de confiança, exigência e luta de mulheres! E como palavra dada é palavra cumprida, aqui estamos com esta alegria, com esta confiança transbordante, com a certeza inamovível que as nossas exigências e a nossa luta correspondem não apenas uma causa justa, como são sobretudo de uma enorme urgência, Porque os Direitos das Mulheres não podem esperar!

Permitam-me que desde já agradeça a todas e todos os que ajudaram a fazer esta festa! Ao Grupo de batucadeiras Ramédi di Terra; aos Karma Drums; Às Cantadeiras Essência Alentejana e à Companhia de Artes Performativas XPTO. À Tânia e à Tita que aceitaram o desfio de connosco criar um repositório das nossas demandas e sonhos de um mundo melhor, à Câmara Municipal de Lisboa e ao Pelouro dos Direitos Sociais por nos facilitarem o acesso a este maravilhoso espaço; à USL por uma vez mais nos permitirem erguer, literalmente, a nossa voz! Às Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais que acederam ao nosso pedido de apoio para permitir a deslocação de muitas amigas a esta celebração. A Todos bem-haja e os nossos agradecimentos.

Este ano assinalamos o 8 de Março com o lema Movimento de Mulheres em Movimento – Transformar a vida – Transformar o Mundo. E mais uma vez, palavra dada é palavra cumprida! As iniciativas realizadas em todo o país e as que ainda estão para vir provam sem qualquer sombra de dúvida que este MDM é um Movimento de Mulheres em Movimento.

Com esta força que nos caracteriza estivemos em Movimento de Norte a Sul do País: Porto, Braga, Aveiro, Leiria; Castelo Branco, Guarda, Santarém, Lisboa, Setúbal; Alentejo Litoral, Évora, Beja, Faro e na Ilha da Madeira, e nem me atrevo a citar mais do que o nome das grandes regiões para não cometer nenhuma injustiça ao esquecer de nomear as valorosas acções realizadas nos seus concelhos freguesias e localidades;

Estivemos em Movimento com uma inesgotável criatividade e diversidade: com debates, sessões e conferências, Almoços e jantares comemorativos, caminhadas, desfiles e marchas; Aulas de dança e Espectáculos; Inauguramos exposições, plantamos oliveiras;

E não estivemos sós: estivemos de mão dada com autarquias, universidades, associações culturais e políticas, Organizações de direitos humanos e protecção a vítimas, com a CGTP e a sua Comissão para a Igualdade entre homens e mulheres.

E estivemos sobretudo, como milhares de mulheres nas ruas, nos seus locais de trabalho, nos espaços criados para juntas celebrarmos. Entramos nas suas casas no dia 8 antes de jantar para as saudar através do tempo de antena que emitimos, e muito embora a comunicação social, para variar, tenha feito de conta que não existimos, estamos seguras que cumprimos bem o nosso objectivo.

Celebramos e repusemos a história que tanto se insiste em reescrever! Afirmamos e tornamos a afirmar: o 8 de Março não é uma data qualquer, nem é quando um homem quiser. O 8 de Março é o símbolo centenário da luta emancipadora das mulheres, que permanece como um momento para a afirmação do movimento de mulheres e pela reivindicação da igualdade de direitos e oportunidades, pela paz e a solidariedade entre mulheres de todo o mundo.

Por isso também, dirigimos às nossas organizações irmãs da Federação Democrática Internacional de Mulheres as mais calorosas saudações reafirmando o nosso compromisso de persistir lado a lado com todas as mulheres que resistem e lutam. E recebemos com o maior carinho a nossa companheira Suelma Beiruk, dirigente da União Nacional das Mulheres Saharauis e vice-presidente do Parlamento Pan-Africano, brava representante do seu povo, e que nos deu uma inestimável ajuda para colocarmos na ordem do dia a urgência da luta pela liberdade, pela autodeterminação, pela igualdade e a paz, contra os fautores das guerras que movidos por interesses económicos e de dominação imperialista negam, humilham e ofendem mulheres e crianças condenando-as à fome, à miséria, à discriminação e à morte. Esperamos Suelma, que possa transmitir ao seu povo, às mulheres saharauis e às mulheres africanas que continuam a contar com o MDM em todos os momentos da vossa justa luta pela liberdade, autodeterminação e contra a guerra.

Queridas amigas, Todas conhecemos a tremenda complexidade da situação política no nosso país, e todas sabemos, porque levamos cravado na carne, quão graves são as consequências de anos de empobrecimento e de violação dos direitos. Mas também sabemos que as mulheres portuguesas com o seu empenho e persistência, contribuíram para pôr fim ao esbulho de Passos e Portas.

Se hoje existe uma nova correlação de forças na Assembleia da República é preciso ter presente três factores indispensáveis:
1º As mulheres contribuíram para esta correlação de forças: estiveram na primeira linha da resistência e luta: Socorrendo-me de Maria Velho da Costa – “elas fizeram a greve” e a manifestação, gritaram e exigiram e votaram!
2º Nenhum direito adquirido até hoje veio por oferta! Todos sem excepção foram conquistados a pulso;
3º Em tempo de grave situação económica e social é fácil subvalorizar os direitos específicos das mulheres; Mas as mulheres sabem dizer com todas as palavras bem ditas: Os nossos direitos não podem esperar e nós não vamos deixar.

Portanto queridas amigas, este MDM – este Movimento de Mulheres em Movimento assume-se como actor imprescindível para intervir, conquistar, aprofundar e efectivar os direitos das mulheres, exigir a melhoria das suas condições de vida e lutar pela dignificação e reconhecimento do papel das mulheres na família, no trabalho e na sociedade. E sabemos que as Mulheres Portuguesas continuarão a resistir e a lutar e quando for preciso voltarão a dizer “à mãe, segure-me aqui os cachopos, senhora, que a gente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é.”

Sejamos pois, com alegria e confiança, Mulheres em Movimento neste Movimento! Para defender direitos! Para defender a Igualdade! Para defender a Paz! Para defender e exercer o direito a ser mulher com direitos!

Viva o Movimento Democrático de Mulheres!

Sandra Benfica

Lisboa. 12 de Março 2016