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MANIFESTAÇÃO NACIONAL DE MULHERES 2017 – INTERVENÇÃO DE REGINA MARQUES

A igualdade é razão para esta manifestação

As nossas saudações calorosas a todos os presentes, agradecendo o seu inegável contributo para o êxito desta grandiosa acção de massas em prol dos direitos das mulheres e da igualdade.

Uma saudação a todas as Mulheres vindas de todo o país, certamente orgulhosas de estarem connosco numa grande manifestação nacional de mulheres onde os seus problemas têm visibilidade e onde se deu voz aos seus problemas específicos e se ouviu o som cálido das suas terras e das suas vozes. Uma saudação às jovens mulheres pelo seu entusiasmo na organização desta manifestação, o que encoraja A LUTA Pela igualdade que a todas pertence.

Uma saudação às mulheres de organizações de mulheres de diversas organizações de mulheres de que destacamos as mulheres trabalhadoras e a comissão para a igualdade entre mulheres e homens da CGTP, a associação de mulheres agricultoras e rurais de Portugal, associações de mulheres imigrantes entre outras amigas e aliadas, cujas experiencias de luta partilhamos de forma solidária e colaborativa, porque a nossa luta pela igualdade, o desenvolvimento, os direitos e a paz é feita de todas as lutas, a nossa causa é uma causa que atravessa a sociedade na sua diversidade e que a todos respeita.

Saúdo as mulheres do Movimento democrática de mulheres de Espanha e através delas as mulheres da FDIM que em todas as partes do mundo organizam debates e encontros por reivindicações concretas dos seus povos, das suas mulheres.

Tenho o grande gosto de saudar os mais de 20 000 participantes nesta grandiosa manifestação nacional de mulheres.

Saúdo as artistas – as mais formais e as informais – que animaram a manifestação ao som dos tambores e das flautas, com o cante alentejano No feminino e naturalmente aquelas que animaram o palco com vozes que nos aqueceram a alma e nos fizeram cantar em coro, e colectivamente exprimir o nosso sentimento de alegria, confiança, cumplicidades e até de amizade. Nelas simbolizamos o valor da participação das mulheres na cultura, pela cultura das suas regiões e do seu património.

Finalmente saúdo calorosamente as mulheres do MDM, toda a sua organização, as suas dirigentes, as dirigentes dos núcleos locais que cedo acalentaram a ideia de comemorar o 8 de Março Dia Internacional da Mulher com uma expressiva iniciativa de rua, num ano em que o CN do MDM aprovou um plano de acção visando ampliar o seu trabalho e reforçar os núcleos locais, descentralizar as suas acções, dar corpo e voz aos problemas locais, ampliando a sua rede junto de muitas e muitas camadas de mulheres. Foram as mulheres do MDM mas também muitas outras sentiram esta Manifestação como sua, que desenvolveram um trabalho persistente de mobilização, empenhando-se de forma exemplar na construção desta bela iniciativa que a todas certamente orgulha, confirmando a justeza e o valor da luta emancipadora das mulheres. A todos e a todas afirmamos que o MDM reconhece o quanto deram de esforço, carinho e dedicação, para aqui chegarmos.

Com a colaboração de tomas esta Manifestação Nacional de Mulheres na história da luta das mulheres portuguesas pela igualdade no século XXI. As diferentes experiências vividas marcarão promissoramente as nossas vidas e deixarão rasto para a nossa luta.

Manifestámos nesta grande Manifestação de Mulheres a nossa indignação com confiança. Manifestámos a nossa alegria com convicção. Manifestámos a força de sermos mulheres em movimento pela igualdade, o desenvolvimento, os direitos, a Paz.

Trouxemos para a rua as nossas reivindicações. As nossas pancartas e panos encheram a rua de reivindicações, propostas, projectos que globalmente traduzem as nossas inquietações e alimentam a nossa luta pelos sonhos de emancipação. Celebrámos o Dia Internacional da Mulher sob a égide de uma esperança renovada mas exigente, porque não estão resolvidos muitos problemas essenciais das nossas vidas e queremos as mudanças necessárias para uma qualidade de vida mais humana e digna.

Mulheres de todas as idades fizeram ouvir a sua voz. Ouviram-se as vozes das mulheres sobre os seus problemas e também sobre os seus anseios. Ouvimos as mulheres afirmarem de viva voz os seus talentos. O seu cante. A sua música. Ouviram-se palavras inconformadas e comprometidas.

Esta Manifestação deixa-nos uma certeza, que é possível, desejável, imperioso, combater as discriminações e dar voz aos problemas das mulheres. Que é necessário ampliar a organização e a luta das mulheres na exigência do cumprimento dos seus direitos e por um mundo de Paz, unindo e reforçando os laços entre todas nós, e também os laços de solidariedade com as mulheres do mundo, hoje vítimas de agudos conflitos e guerras provocados pela vertigem neocolonialista e imperialista que não desistem de viver à custa da exploração dos recursos naturais de outros países, exorbitando do seu poderio económico e militar, tudo fazendo, incluindo o recurso às bombas, à guerra económica e pressões mediáticas, autenticas guerras psicológicas para desestabilizar governos, que ainda que repetidamente saídos de eleições são acusados de serem não democráticos e ditatoriais.

Sim, esta manifestação deixa-nos a certeza que as mulheres portuguesas e o Movimento Democrático de Mulheres dão um forte contributo para a continuidade e reforça da acção e luta para um grande movimento de mulheres em movimento, mobilizado e mobilizador para transformar a vida e transformar o mundo, congregando as potencialidades das mulheres para este grande desafio de construir um pais onde a igualdade seja uma realidade.

Uma luta das mulheres e o Movimento Democrático de mulheres que está radicado na experiencia histórica da luta das mulheres contra o fascismo, contra a opressão colonialista e radicado também na mais bela experiencia que Abril trouxe, da participação em igualdade, da alegria, da vivencia colectiva e denodada e daí nasce a sua força.

Hoje como ontem, o MDM acompanha a situação das mulheres, a sua maneira de viver e estar com os outros. Sentimo-nos tristemente amordaçadas, num país onde a liberdade produziu mulheres e homens mais cultos, mais sábios, amigos e amantes da sua terra e do seu património mas obrigados a emigrar, a abandonar as suas terras e os seus costumes, a sofrer na pele as agruras de uma vida incerta e intranquila, porque não há trabalho, porque os rendimentos familiares são cada vez mais baixos e precários.

Por isso não deixamos de lembrar o que perdemos com sucessivos governos particularmente o Governo PSD/CDS que nos amarraram a políticas injustas e prenderam os gestos da nossa emancipação, que a revolução de Abril abriu.

Depois de fechado e derrotada pela nossa luta, o ciclo mais tenebroso da nossa história recente, de austeridade e ofensiva aos direitos das mulheres, este novo quadro político, permitiu travar e minorar as medidas mais gravosas do governo anterior. Importa ir mais longe. Temos de continuar pela concretização de direitos, o cumprimento da Constituição da Republica e o cumprimento do direito internacional pela paz mundial, pelo desenvolvimento e soberania dos povos, pelos direitos das mulheres e dos povos à independência.

As mulheres querem e exigem mais, continuaremos a lutar e a contrariar todos os factores que geram pobreza, as desigualdades e os ódios, a lutar para reverter injustiças, impedir retrocessos, e fazer avançar o país e alcançar os a igualdade.

Como se dissemos no desfile: avançar, avançar, para a igualdade alcançar!

Saímos com mais força na nossa disposição de continuar a lutar pelos direitos, pugnar pelo direito a ter direitos, exercendo-os em todo o no nosso ciclo de vida pela felicidade e pela dignidade humana.

Queridas amigas, estimados participantes nesta grande manifestação de mulheres

Vivemos, paradoxalmente, num mundo de grandes contradições. A crise do capitalismo provocou as mais agressivas e desumanas práticas de exploração do homem pelo homem, profundos retrocessos nos direitos das mulheres, semeando as ideias mais traiçoeiras e ilusórias da sociedade de espectáculo e do consumo. Ao mesmo tempo que fez alastrar guerras, globalizar os mercados e criar a ilusão de que temos todos as mesmas oportunidades, permitiu sórdidos negócios, fazendo alastrar a corrupção, o tráfico de seres humanos, de mulheres e crianças, na sua maioria para fins de prostituição, uma das mais aviltantes formas de violência e uma ofensa gritante da dignidade humana, da dignidade das mulheres.

Temos que continuar a lutar e a afirmar, lá onde vivemos, onde escrevemos, onde cantamos, onde trabalhamos, que não calamos a voz do sofrimento, nem a voz da indignação e da exigência.

A partir daqui, Terra a terra com a força das mulheres chegaremos mais longe em 2017 levando o apelo, o incentivo para que se prossiga a luta pelos direitos específicos das mulheres, pelo direito à igualdade, e contra as discriminações. Lutaremos pelo cumprimento dos direitos que engrossam a justiça social e o desenvolvimento das nossas terras e das nossas gentes. Não calaremos a voz da nossa razão com a certeza de que o amor, a ternura, a solidariedade, o respeito pelo outro, transforma a vida.

Apelamos à participação das mulheres onde quer que estejam porque, “sem a participação decisiva das mulheres não há saída para os nossos problemas”.

O MDM levará as reivindicações da Grande Manifestação às mulheres portuguesas e aos órgãos do poder, porque não basta a igualdade na lei, importa-nos fazer cumprir a igualdade na vida.

Porque não há igualdade sem direitos

Porque não há igualdade sem justiça social

Porque não há igualdade sem desenvolvimento exigimos o combate as assimetrias regionais, a desertificação do interior. a aposta no investimento publico, a não privatização de serviços e bens essenciais como a água e o tratamento de resíduos, bem como os transportes, a saúde, o ensino para que todas – portugueses e portuguesas se sintam igualmente tratados e reconhecidos. Mais, exigimos a dinamização da produção nacional, como condição para criar mais riqueza, mais postos de trabalho, permitindo a inserção das mulheres na vida activa e no tecido produtivo.

Como dissemos no Manifesto que convocou esta Manifestação aprovado pelo CN do MDM as mulheres contam para o desenvolvimento do País e o País precisa de nós.

Porque os nossos problemas não estão resolvidos e muitas injustiças gravitam à nossa volta, a nossa luta vai continuar pela igualdade, os direitos, o desenvolvimento e a Paz.

E será mais forte daqui em diante porque somos com certeza muitas mais…

Pelo sonho é que vamos Lutamos! Lutamos! Lutamos!

Sim. Mulheres portuguesas e do mundo. Estamos unidas como comprova esta Manifestação em Lisboa. Vamos continuar unidas a propor, reivindicar e valorizar as mulheres na sua acção pela cultura e progresso da humanidade, na sua intervenção contra as desigualdades e discriminações que as afectam na família, no trabalho. Contra as violências, humilhações e manobras dilatórias que persistem dominantemente no plano mediático, social, político e cultural.

Temos a consciência de que não há inevitabilidades e podemos sonhar ir mais alto. Temos a consciência que o mundo não parou, a história não acabou e que a transformação da sociedade numa sociedade humana depende da vontade, da determinação, da luta, da força organizada das mulheres / uma sociedade onde todas e todos caibam com dignidade e a emancipação das mulheres seja uma realidade.

O Movimento Democrático de Mulheres continuará, de forma empenhada, a intervir com as mulheres portuguesas pela garantia de respostas concretas às suas aspirações, trazendo para a luta emancipadora das mulheres muitas e muitas mulheres que sentem a opressão, a discriminação, as desigualdades entre mulheres e homens, sejam as desigualdades sociais que tem tornado as pobres cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos, sejam as humilhações e deturpações sexistas, a violência domestica, a violência sexual ou assédio moral ou sexual.

Traremos ao nosso convívio e ao nosso trabalho todas as mulheres que desejam ter voz activa pela sua independência e por um mundo mais justo.

Após esta grande manifestação nacional de mulheres, a luta das mulheres e a acção do MDM vai continuar, transformando o ano de 2017, num mais forte pulsar da participação das mulheres, pela resolução dos seus problemas mais urgentes, mas igualmente por avanços imprescindíveis na concretização da igualdade, no cumprimento dos direitos, pelo desenvolvimento e pela paz.

Em 2018, celebraremos o DIM uma vez mais em luta com a realização de uma nova manifestação nacional em defesa dos direitos das mulheres.

A luta das mulheres vai continuar e com elas o MDM estará sempre!

Pró país evoluir / as mulheres têm de intervir.

Com mais igualdade é mais forte a liberdade

Viva as mulheres portuguesas

Viva a Manifestação Nacional de Mulheres

Viva a luta emancipadora das mulheres

Viva o MDM

Lisboa, 11 de Março 2017