Amigas e companheiras,
Chegadas aqui, quero em nome do Movimento Democrático de Mulheres, da sua Direcção Nacional e dos seus Núcleos, saudar calorosamente todas as mulheres que de norte a sul do País responderam ao nosso apelo de comemorar este 8 de Março na Manifestação Nacional de Mulheres.
Que alegria e que força, queridas amigas e companheiras, tem esta grande manifestação!
Pelo quarto ano consecutivo, a Manifestação Nacional de Mulheres traz para a rua os problemas e as respostas que são necessárias, neste tempo que é o nosso.
As mulheres exigem trabalho com direitos e o direito de ser mãe e trabalhadora, sem penalizações. E sem precariedade.
As trabalhadoras da indústria, da hotelaria, restauração e comércio, da educação, da saúde e dos serviços de apoio social, da cultura e artes, da investigação e ciência, exigem a valorização do seu estatuto socioprofissional, o aumento dos seus salários e do salário mínimo nacional para 850 euros, exigem a igualdade salarial.
As mulheres reivindicam serviços públicos de qualidade que garantam a todas o direito à educação e à saúde, à segurança social e à justiça, à habitação e aos transportes.
Exigem condições que lhes permitam a participar em igualdade na vida social, política, cultural e desportiva. As mulheres querem viver sem violências.
Porque a violência doméstica não é amor, afirmam a urgência de políticas de prevenção assentes no reforço de meios nos serviços públicos.
Porque o corpo de mulheres e crianças não é uma mercadoria, rejeitam o negócio das “barrigas de aluguer”
– e pela mesma razão – exigem que a prostituição seja reconhecida como exploração e uma grave violência.
Estas são reivindicações comuns da luta das mulheres de norte a sul do País. E, estamos certas, da sua luta de todos os dias que vai continuar!
Na nossa Manifestação Nacional estão presentes sonhos e aspirações de muitos lugares do nosso País, porque as mulheres têm o direito a viver e trabalhar nas suas regiões.
As mulheres exigem medidas para inverter a desertificação e a quebra da natalidade! As mulheres do mundo rural exigem apoios concretos à agricultura familiar.
E afirmam a necessidade de medidas para superar problemas ambientais graves, provocados pelas culturas intensivas, pela poluição da água e dos rios, ou pelos aeroportos em zonas residenciais, como é o caso da proposta do Montijo!
Amigas e Companheiras,
Nos 70 anos da publicação do último fascículo de As Mulheres do Meu País recordamos palavras de Maria Lamas:
«Fui ao encontro das minhas irmãs portuguesas, procurei conhecer e sentir as suas vidas humildes ou desafogadas, as suas aspirações ou a sua falta de aspirações…»
A Presidente Honorária do MDM narrou nesta obra a situação das mulheres num Portugal retrógrado, reprimido e cinzento. Não é este o país que temos hoje. Mas estamos conscientes que só a luta organizada das mulheres pode levar a cabo o muito que ainda há a fazer para que a igualdade na vida seja uma realidade.
E esta Manifestação Nacional de Mulheres é expressão viva desta vontade. É a expressão de luta deste 8 de Março de 2020.
Somos milhares nesta grande Manifestação Nacional para afirmar o valor da luta das mulheres. Para afirmar o conteúdo político e ideológico da nossa luta, porque a luta mulheres não é neutra.
Nesta Manifestação Nacional de Mulheres afirmamos o papel único e insubstituível do MDM – um movimento democrático e unitário, de dimensão nacional, aglutinador de amplos sectores de mulheres por objectivos e reivindicações que lhes são comuns.
Objectivos que são indissociáveis das características deste Movimento, na sua ligação às mulheres e aos seus problemas.
Um movimento que adopta as formas de intervenção e de luta que melhor contribuem para afirmar os seus objectivos, dar força às reivindicações das mulheres e à ampliação da sua luta organizada.
Um movimento que sendo uma importante expressão da luta organizada, considera imprescindível a luta organizada das mulheres noutras organizações sociais relevantes, onde a participação das mulheres é insubstituível.
Um movimento que nesta grandiosa manifestação nacional demonstra a força da unidade, indissociável dos espaços de diálogo, de debate e de convergência construídos todos os dias, e ao longo de décadas, com outras organizações sociais.
Rejeitamos hoje, e sempre, que nos apontem soluções enganosas ou que se limitem a constatar problemas. Queremos um futuro de progresso!
Nesta Manifestação Nacional de Mulheres não marcham ao nosso lado os responsáveis pela persistência das discriminações e desigualdades sobre as mulheres – com formatos antigos ou actuais.
Connosco não marcham aqueles que são coniventes com a exploração do trabalho das mulheres, com a desregulação dos horários, os baixos salários, as discriminações em função da maternidade / paternidade.
Nesta Manifestação não marcham aqueles que defendem a prostituição como um trabalho, e visam legalizar um negócio sórdido que se alimenta da violência brutal, e da destruição física e mental das mulheres.
Para nós, o dia 8 de Março é um dia diferente.
É um dia de luta das mulheres, um dia de convívio e alegria para ampliar a luta organizada das mulheres por uma verdadeira política de igualdade que concretize os direitos na vida, o desenvolvimento e o progresso do nosso País num mundo de Paz.
Aqui afirmamos a força da unidade na defesa dos direitos das mulheres. Por isso, nesta Manifestação o MDM saúda calorosamente:
As mulheres trabalhadoras, os seus sindicatos e a CGTP-Intersindical Nacional.
As mulheres agricultoras e rurais, e a sua associação de mulheres filiada na Confederação Nacional da Agricultura.
As mulheres das forças e serviços de segurança, e a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia.
Saudamos as mulheres reformadas, as mulheres com deficiência e as suas organizações, as que integram associações de mulheres, de mulheres migrantes e de mulheres ciganas.
Uma saudação muito especial à juventude, às associações de jovens e à Associação Ruído.
Saudamos as dezenas de grupos aqui presentes que comprovam a participação das mulheres na criação e fruição cultural.
E saudamos as cerca de 200 mulheres de diversas áreas que deram o seu apoio público a esta Manifestação.
Enviamos uma calorosa saudação à Federação Democrática Internacional de Mulheres, de que o MDM faz parte, e que agrega organizações de mulheres do mundo inteiro.
Saudação que é a expressão da nossa solidariedade incondicional com a luta das mulheres em cada país e no mundo – em defesa dos seus direitos, pela Paz e contra as guerras, e no combate às demonstrações de retrocesso social, de fascismo, de racismo, xenófoba ou homofóbica.
Prezadas Amigas e Companheiras,
Vamos continuar a unir forças e vontades.
Daqui levamos mais força para a luta de todos os dias, porque não nos faltam razões.
Os núcleos do MDM vão prosseguir a sua acção, e seguramente com novas aderentes e activistas!
E desde já, queremos convidá-las a comemorar o Dia Internacional da Mulher do próximo ano, em 2021, na Manifestação Nacional de Mulheres, no dia 7 de Março, no Porto, e no dia 13 de Março, em Lisboa.
Para o ano estaremos nas ruas, afirmando que as comemorações do 8 de Março fazem parte do importante património histórico de luta e profundamente ligado à luta emancipadora das mulheres em Portugal.
Viva a luta das mulheres em Portugal! Viva a luta das Mulheres no Mundo Viva o Dia Internacional da Mulher!
Viva o Movimento Democrático de Mulheres.
Lisboa, 8 de Março de 2020


