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MANIFESTAÇÃO NACIONAL DE MULHERES 2021 – INTERVENÇÃO DE ISABEL CRUZ

Amigas e companheiras

Em nome do Movimento Democrático de Mulheres, da sua Direcção Nacional e dos seus Núcleos, saúdo calorosamente todas vós, e por vosso intermédio as mulheres dos vossos distritos, bem como as muitas centenas de mulheres que não podendo estar connosco, nos transmitiram o seu apoio incondicional às razões e exigências para assinalar o Dia Internacional da Mulher neste contexto tão difícil das nossas vidas.

A todas dizemos que contam com o Movimento Democrático de Mulheres, e o Movimento conta convosco para dar força à vossa / nossa luta para Viver Direitos e Vencer Violências.

Queremos recordar que a cidade do Porto testemunhou, pela primeira vez no nosso país, uma manifestação para celebrar o Dia Internacional da Mulher – foi há 59 anos, no tempo da cruel repressão fascista.

No dia 8 Março de 1962, às 18.30h, ali em baixo, na Praça da Liberdade, estiveram vinte mil pessoas seguindo em manifestação pela Rua 31 de Janeiro.

Exigiram aumento de salários e diminuição do custo de vida, a democracia e a liberdade, a amnistia e a Paz. A repressão foi brutal.

Ao evocar esta acção de luta, queremos saudar a geração de mulheres que nela participaram e assumiram grande parte da mobilização, composta por destacadas antifascistas, mais tarde obreiras da acção do MDM no distrito do Porto, de que é exemplo a nossa amiga aqui presente – Maria José Ribeiro, Conselheira Nacional do MDM.

O MDM assinala o Dia Internacional da Mulher desde a sua formação em 1968 até aos dias de hoje.

Foi o contributo das sucessivas gerações de mulheres que a transformaram numa importante jornada de luta e num momento especial da acção do MDM – de unidade, de alegria e de determinação da vontade das mulheres em transformar as suas vidas.

Hoje assinalamos o Dia Internacional da Mulher, aqui no Largo Amor de Perdição.

Amanhã, 8 de Março também estaremos na rua em todo o País, e num novo ponto alto no próximo sábado, nos Restauradores em Lisboa.

Nesta data, unidas e determinadas, afirmamos que não podemos calar o agravamento das condições de vida e de trabalho das mulheres do nosso país.

Não podemos calar que é preciso combater a pandemia, mas também os problemas económicos e sociais, impedir o agravamento das discriminações das mulheres, travar a pobreza e o desespero que ameaça o nosso futuro.

Contra tudo isto é preciso agir e lutar!

Não podemos calar os impactos da crise sanitária, e de como estão a impor um brutal retrocesso na vida das mulheres.

A dramatização mediática do vírus é usada para nos tornar receosas e inseguras, para nos distrair dos nossos problemas e do que se passa à nossa volta.

Recusamos o imobilismo, a tentativa de confinar o nosso pensamento, o nosso espírito crítico, a nossa capacidade de acção.

Nós sabemos que as mulheres têm estado na linha da frente no combate à pandemia.

Mas não peçam às mulheres que aceitem a factura que lhes está a ser passada no actual contexto, e que se soma à que já pagavam antes, traduzida em desigualdades, discriminações no trabalho, na maternidade, na família e na sociedade.

Recusamos o engano de um futuro onde o “normal” é a praga da precariedade dos vínculos laborais, dos baixos salários e do agravamento da exploração, das desigualdades e discriminações.

Não aceitamos retrocessos nos direitos das mulheres, queremos um futuro de progresso!

Exigimos que seja reforçada a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde no combate à pandemia, sem descurar a prestação de cuidados de saúde de outras patologias, reforço que é indissociável da valorização das carreiras e remunerações de todos os seus profissionais, e do direito imprescindível a contratos de trabalho que garantam estabilidade no emprego, num sector onde a maioria são mulheres.

É necessário identificar e interromper as cadeias de transmissão, e garantir o cumprimento dos objetivos de vacinação para proteger vidas e combater o vírus.

Não podemos continuar com a injustiça na distribuição da riqueza.

É preciso valorizar o trabalho e as carreiras profissionais, aumentar os salários e o salário mínimo nacional para 850€, garantir salário igual para trabalho igual, e proibir o despedimento de quem esteja com contratos precários.

É preciso alargar a protecção social no desemprego e na doença, na melhoria do abono de família, no aumento das pensões de reforma e de apoio às pessoas com deficiência.

É urgente garantir o apoio a quem está a ser mais atingido pelas consequências do confinamento, evitar as falências e travar o desemprego, sobretudo nos sectores da restauração e hotelaria, da agricultura familiar, do turismo e da cultura, com grande peso no emprego de mulheres.

É preciso interromper a degradação dos serviços públicos, com investimento e contratação de trabalhadores em falta, em especial na Escola Pública para que crianças e jovens possam recuperar dos prejuízos impostos pelas interrupções do ensino presencial.

Investir em mais e melhores transportes públicos, habitação condigna e comportável com os salários, e creches públicas gratuitas.

Exigimos o reforço da prevenção e combate à violência doméstica, ao tráfico de seres humanos, e que a prostituição seja reconhecida como exploração e uma grave forma de violência sobre as mulheres e crianças.

O Dia Internacional da Mulher é um dia para reforçar as reivindicações actuais de igualdade de direitos e de progresso social.

Relembramos Maria Lamas, presidente honorária do MDM, e a mensagem que transmitiu em 1982: «No 8 de Março, como em todos os outros dias, forçoso é avaliar os progressos, forçoso que se apontam perspectivas para avançar na luta pelos direitos da mulher na qual tanto ainda há a alcançar».

As acções que assinalam o Dia Internacional da Mulher deste ano, como as que o MDM vai prosseguir, visam continuar a lutar pela concretização destes objectivos.

Porque somos um Movimento para intervir, conhecer mais e melhor os problemas mais prementes do dia-a-dia das mulheres, porque juntas formamos fileiras decididas, de uma vontade inabalável de lutar pela igualdade na vida, como o combate no nosso tempo.

Vamos à luta pelos nossos direitos com coragem e confiança.

Viva a luta das mulheres em Portugal e no mundo! Viva o Dia Internacional da Mulher! Viva o Movimento Democrático de Mulheres.