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MANIFESTAÇÃO NACIONAL DE MULHERES 2022 – INTERVANÇÃO FÁTIMA BENTO

SAUDAÇÃO ÀS MULHERES EM TODO O MUNDO PELA IGUALDADE NA VIDA

A Manifestação Nacional de Mulheres promovida pelo MDM em Portugal nas comemorações do Dia Internacional da Mulher 2022 expressa a sua solidariedade com a luta das mulheres em todo o mundo pela igualdade na vida e pela Paz.

O Dia Internacional da Mulher é uma data que traduz a história secular de luta das mulheres por direitos cívicos, sociais, económicos e políticos e contra todas as discriminações e desigualdades na lei e na vida.
Permanece como um símbolo da luta emancipadora das mulheres do mundo inteiro.

A pandemia de COVID 19 teve repercussões sociais, económicas e trágicas para muitas famílias, sendo mais uma vez as mulheres as que mais sentiram os retrocessos e o agravamento das suas condições de vida. Agravaram-se as condições de trabalho e de vida das mulheres trabalhadoras, das jovens e das idosas. A precariedade tornou-se o pão nosso no mundo laboral. Aumentou a pobreza e a exclusão, a fome e a desnutrição em muitos países. A escalada de violências – as mortes de mulheres por violência, os sequestros, o trafico e a prostituição – no plano mundial recrudesceu.

Guerras de agressão continuam a causar morte, destruição, deslocações das populações, pobreza e sofrimento. Em muitas situações prevalece o desrespeito pelo Direito Internacional As desigualdades agudizaram-se entre os países e entre as mulheres.

A pandemia não pode ser desculpa para os retrocessos nos direitos das mulheres. Não pode ser desculpa para silenciar os seus problemas. Ou para fazer delas escudos invisíveis da ofensiva ideológica marcada pelo aumento da exploração laboral, pela ausência de meios de subsistência, pela mercantilização dos corpos e da objectificação para o consumo e propaganda sexista e misógina – na publicidade, redes sociais, no entretenimento -, perpetrada pelos grandes meios de comunicação e que alimentam sórdidos negócios.

Num momento particularmente perigoso na Europa e de agravamento das condições de vida das mulheres, crescem as nossas preocupações, mas ao mesmo tempo aumenta a nossa responsabilidade em reforçar os
laços da nossa solidariedade.

Por isso, neste 8 de março de 2022,
Saudamos a Federação Democrática Internacional da Mulher (FDIM) e as suas filiadas pela sua determinação na luta pelos direitos das mulheres, ao trabalho, à habitação, à saúde e à educação, contra o fascismo e a guerra, o colonialismo, o racismo, o apartheid, verdadeiras barreiras à autodeterminação e emancipação das mulheres, à liberdade e autodeterminação dos povos;

Saudamos a luta das mulheres pela paz e pela justiça social, independência económica e dignidade humana; as mulheres que nos diferentes países da Europa e no mundo lutam pelo direito ao trabalho, à igualdade salarial, à valorização dos seus salários e carreiras, que rejeitam a privatização de importantes serviços públicos e a deterioração progressiva dos mesmos, e estão determinadas a defender os seus direitos sexuais e reprodutivos nomeadamente a despenalização da interrupção voluntária da gravidez com condições de saúde e dignidade
que hoje a ciência e a medicina permitem;

Saudamos as mulheres e o povo saharaui. Condenamos as Invasões a casas, espancamentos, tortura, detenções arbitrárias, agressões sexuais, negligência médica intencional e sequestros nos territórios ocupados por Marrocos; saudamos as mulheres da Palestina e condenamos a política sionista de Israel que prossegue, de há décadas, a sua política de extermínio do povo palestino. Condenamos as sanções económicas e financeiras das chamadas guerras híbridas que a União Europeia e os EUA impõem a Estados livres e soberanos, de que são exemplos Cuba e Venezuela e condenamos a crescente onda de militarização da NATO;

Saudamos as mulheres da Síria e do Médio Oriente, do Yemen e do Chad e de toda a África onde grupos extremistas e de ocupação estrangeiros violam o direito das mulheres, exercendo sobre elas todo o tipo de
violências e violações legitimadas pela guerra;

Saudamos solidariamente as mulheres da Ucrânia forçadas a abandonar o seu país com seus filhos indefesos e as mulheres da Rússia também vítimas de sanções e de uma guerra que não escolheram. A todas unimos os nossos esforços para que se alcance um cessar-fogo duradouro e tenham lugar negociações no interesse dos povos e da paz.

Saudamos as mulheres imigradas e refugiadas ultra-exploradas e condenadas muitas vezes a vidas ilegais e desumanas nos países europeus de acolhimento.

Com todas, as exploradas e oprimidas, e com as protagonistas de uma luta sem tréguas pela emancipação e os direitos das mulheres, o MDM unirá esforços na construção da paz e da emancipação, indissociáveis da igualdade na lei, mas também indissociáveis da igualdade na vida.

A todas proclamamos, a luta pela paz é urgente e inadiável. Os direitos das mulheres não podem esperar.

Porto. 5 de março 2022

Nota:
Esta saudação será enviada para a Federação Democrática Internacional de Mulheres FDIM e para as organizações de mulheres com quem o MDM tem relações no plano internacional.