Amigas e companheiras
Em nome do Movimento Democrático de Mulheres, da sua Direção Nacional e dos seus Núcleos, saudamos todas as mulheres que participam e construíram esta comemoração do Dia Internacional da Mulher, dia de afirmar a luta das mulheres, as nossas aspirações e sonhos.
Apesar dos avanços conquistados com a luta de gerações de mulheres, as desigualdades, discriminações e violências sobre as mulheres permanecem como uma realidade em Portugal e no Mundo contra as quais é necessário continuar a lutar.
Afirmamos a nossa solidariedade com as mulheres em diferentes países, num contexto mundial que exige que o Dia Internacional da Mulher seja uma forte jornada de luta porque a situação das mulheres conhece retrocessos ao nível das condições de vida e de trabalho, na sua situação económica e social e dos seus direitos. Um mundo cada vez mais injusto, desigual, instável e violento, onde estão presentes vários cenários de guerra, inclusive na Europa, que compromete ainda mais a igualdade na vida!
O MDM desde a sua formação construiu um importante património de intervenção no Dia Internacional da Mulher, com várias iniciativas mobilizando as mulheres na afirmação desta data como um símbolo de luta pelos seus direitos.
Das diversas ações do MDM que este ano têm lugar para celebrar este dia, destaca-se a realização desta que é a sexta Manifestação Nacional de Mulheres organizada pelo MDM.
Hoje ela tem expressão no Porto. Aqui estão mulheres dos distritos de Aveiro, Braga, Bragança, Coimbra, da Guarda, de Viana do Castelo, de Viseu e dos concelhos do distrito do Porto trazendo consigo as reivindicações mais sentidas pelas mulheres nestas regiões.
No próximo dia 12, a Manifestação Nacional de Mulheres terá expressão em Lisboa.
Ela é expressão da força da unidade das mulheres na denúncia dos seus problemas concretos, impeditivos de uma verdadeira igualdade na vida, e da vontade de lutar pela concretização das suas aspirações, enquanto trabalhadoras, cidadãs e mães a uma vida melhor, numa sociedade mais justa, sem discriminações, injustiças e violências. A realização desta Manifestação representa uma afirmação da
determinação, da força de vontade das mulheres, que não colide nem substitui outras formas de luta.
As mulheres integram o rol dos que empobrecem trabalhando, veem serviços públicos essenciais serem privatizados – segurança social e sistema de pensões, saúde, entre outros –, os seus rendimentos diminuem, estão sujeitas a várias discriminações no trabalho, na sociedade, nomeadamente em função da maternidade e paternidade. A lei estabelece a igualdade, mas as políticas e a nossa vida gritam que esta está longe de ser alcançada.
Não pode haver desculpa!
Como se pode viver em igualdade quando o salário ou pensão não chega para garantir uma vida sem incertezas ou sobressaltos? Quando persistem as discriminações por maternidade? Quando se vive numa sociedade que oprime e subjuga uns em favor de outros? Como se pode viver em igualdade numa sociedade onde se instiga o medo, onde se despreza a Paz?
Não há desculpa para não se cumprir com o direito ao trabalho e ao trabalho com direitos, igualdade salarial, a ter rendimentos dignos que combatam a pobreza e não atirem muitas mulheres para situações de violência e exploração extrema como a prostituição ou o aluguer ou venda de partes do seu corpo.
Não há desculpa para a inexistência dos mecanismos adequados de proteção e prevenção da violência doméstica, não se assegura o direito à Saúde para todas as mulheres ou os adequados níveis de proteção social no desemprego, na doença, na maternidade e na velhice.
Por isso afirmamos: Os direitos das mulheres não podem esperar!
Não podemos deixar a luta em mãos alheias, temos de tomá-la como nossa e vir para a rua lutar contra os baixos salários, a precariedade e os horários desregulados que impedem a conciliação da vida profissional com a pessoal e familiar, lutar contra o flagelo da violência doméstica e as outras formas de violência e exploração das mulheres, lutar contra o desenfreado aumento discriminação.
Somos um Movimento que não abdica de aprofundar as causas económicas, sociais e culturais da exploração e da violência que continuam a pesar sobre largos sectores de mulheres, nem abdica de identificar os responsáveis políticos que as promovem.
Para nós, a igualdade na vida representa garantir às mulheres o exercício de todos os direitos: económicos, sociais, políticos e culturais. Para nós, a igualdade na vida alcança-se com políticas que tenham impacto na vida das mulheres, que concretizem a igualdade que existe na lei.
Para nós, a igualdade na vida alcança-se com políticas que tenham impacto nas nossas vidas, que concretizem a igualdade que existe na lei.
Estamos na rua para exigir o investimento nos serviços públicos, com o reforço de trabalhadores e meios, garantia de redes públicas de creches e jardins-de-infância, centros de dia e lares.
Estamos na rua para exigir investimento em mais e melhores transportes públicos, habitação condigna e acessível.
Estamos na rua para exigir o reforço da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde com a valorização das carreiras e remunerações de todos os seus profissionais, num sector onde a maioria são mulheres.
Estamos na rua pela valorização do trabalho e das carreiras profissionais, pelo aumento geral dos salários, garantir salário igual para trabalho igual.
Estamos na rua para exigir melhor proteção social no desemprego e na doença, aumento das pensões de reforma e de apoio às pessoas com deficiência.
Exigimos o reforço da prevenção e combate à violência doméstica, ao tráfico de seres humanos, e que a prostituição seja reconhecida como exploração e uma grave forma de violência sobre as mulheres e crianças.
E estamos na rua para exigir Paz! Que não aceitamos as guerras e as escaladas militares porque sem Paz não há igualdade!
Queremos continuar a afirmar com clareza os nossos objetivos de acão. Partimos da realidade concreta das mulheres que somos, damos voz aos nossos problemas, à defesa dos nossos direitos, tornando visível o importante papel das mulheres em todos os domínios da vida, dando força à justa luta pela igualdade e emancipação.
A todas dizemos que podem contar com o MDM e o Movimento conta convosco para dar força à nossa luta para alcançar a igualdade na vida!
Viva o Dia Internacional da Mulher!
Viva a luta das mulheres em Portugal e no Mundo!
Viva o MDM!
Lisboa, 5 de Março 2022


