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MANIFESTAÇÃO NACIONAL DE MULHERES 2017 – INTERVENÇÃO DE ANA SOUTO

Amigas, amigos

Uma saudação calorosa a todos os que participam nesta grande Manifestação Nacional de Mulheres pela igualdade, direitos, desenvolvimento e Paz.

Celebramos o Dia Internacional da Mulher, passados 110 anos após a sua proclamação, por proposta de Clara Zetkin, em que os seus objectivos mantêm inteira actualidade: lutar pelos direitos cívicos e políticos das mulheres, pela Paz.

O 8 de Março foi e está a ser celebrado pelas mulheres em diferentes países e continentes.
Também o fizemos em Portugal e estamos a fazer com a realização desta grande manifestação, em que as mulheres portuguesas celebram a data afirmando que é necessário e urgente ampliar a sua luta pela exigência de um mundo de Paz, porque só assim é possível caminhar para o verdadeiro cumprimento dos nossos direitos em Portugal e no mundo.

Juntamos, a nossa voz à de todas as mulheres que no mundo lutam e aspiram a um mundo mais justo, mais digno, mais solidário, onde haja lugar ao sonho, onde as crianças possam ser crianças.
É preciso elevar a nossa voz contra as guerras e desigualdades que colocam as mulheres, as meninas, as crianças entre as mais sacrificadas, vítimas milenares da opressão e da exploração são sujeitas a todo o tipo de maus tratos e de humilhações.

Assistimos ao aumento de focos de conflitos e guerras, em todos os continentes, e à sua agudização. Os EUA, a NATO, a UE e os seus aliados fomentam guerras que tem provocado a destruição de milhares de vidas humanas e milhões de refugiados, a desestabilização de governos e destruição de países independentes e soberanos, como aconteceu no Iraque, na Síria, na Líbia, na região dos grandes lagos em África, na África subsaariana.

Vemos todos os dias o reflexo dessas guerras de ingerência e o desprezo a que são votados povos e populações sujeitas à fome, à miséria, a doenças, ao medo. Crianças e mulheres são tratadas como seres infra-humanos, sujeitas à violência física e sexual, ao tráfico humano. Milhões de mulheres, meninas, crianças são obrigadas a trabalho forçado, sujeitas à exploração sexual e económica.

Milhares de crianças estão desaparecidas e sabe-se que foram violadas. Numa verdadeira afronta à dignidade humana.
A actual situação internacional contém elevados riscos para a Paz e estabilidade mundial.
São guerras de ingerência e de agressão externas, que pretendem assegurar posições geoestratégicas, das forças imperialistas e do capitalismo a braços com as suas contradições, para dominar os povos e os seus recursos naturais.
Na conturbada situação política, económica e social do momento que atravessamos continua a ter um grande valor a força da solidariedade internacional que caracteriza a história do MDM – passada, presente e futura – e a história da luta das mulheres portuguesas.

As mulheres portuguesas, nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, em 2017, manifestam a sua solidariedade com as mulheres da América Latina onde são conhecidas as investidas do imperialismo para derrubar as legítimas forças democráticas, progressistas e ou revolucionárias. Vimos esse processo no Brasil, mas também na Venezuela, na Bolívia, no Equador, na Argentina, e tantos outros.

Somos solidárias com as mulheres cubanas e o seu povo, lutando em defesa do socialismo, contra o bloqueio económico instaurado pelos EUA.
Somos solidárias com as mulheres de África onde a situação de violência e de guerras, faz alastrar a doença, a fome, a destruição.
Estamos solidárias com as mulheres do Sahara ocidental, e com o seu povo, na luta pela sua independência, há mais de 40 anos colonizado pelo Reino de Marrocos.
Com as mulheres do Médio Oriente, onde é grande o estado de tensão e instabilidade, num duro combate contra as forças terroristas alimentadas pelas forças imperialistas que recorrem mesmo a forças mercenárias.

Com as mulheres da Palestina onde assistimos à agudização da destruição da Palestina com a expansão dos colonatos, por parte de governo sionista de Israel, desrespeitando a legalidade internacional e as decisões das NU.
O MDM membro fundador da Federação Internacional da Mulher, organização internacional de mulheres, criada no pós 2ª guerra mundial, sempre activa e combatente na defesa da Paz e dos direitos das mulheres, saúda a FDIM e as organizações nela filiadas que no mundo erguem hoje a bandeira da Paz e da solidariedade, lutam contra o colonialismo, o sionismo, o apartheid, o fascismo e pelos direitos das mulheres e dos povos à autodeterminação, à sua soberania e independência nacional. Estamos certas que esta grande Manifestação Nacional de Mulheres está connosco nesta saudação.

Amigas Companheiras, amigos

A Paz é o bem supremo da humanidade e é com toda a justeza que nós clamamos para que se respeite em Portugal a Constituição da República Portuguesa, se respeite o direito internacional, os direitos humanos, os direitos das mulheres.
Estamos certas que aqui demos o nosso contributo para reforçar os laços de solidariedade com todas aquelas que nos seus países lutam contra todas as formas de opressão e ingerência externa, combatem a fome e a pobreza, que erguem os seus países das ruínas, constroem espaços de amizade, cultura, sonhos, que lutam por um mundo onde a vida seja um campo aberto à alegria e ao futuro.

Sim queridas amigas, queridos amigos: a Paz é possível e necessária para todas e todos. Por ela vamos continuar a lutar.
Viva as Mulheres Portuguesas!
Viva o Movimento Democrático de Mulheres!

Lisboa, 11 de Março 2017