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MDM A APRESENTA QUEIXA À ERC CONTRA PUBLICIDADE

O Movimento Democrático de Mulheres denuncia, com veemência e indignação, o videoclip “Obrigada Mãe”, financiado pelo conhecido reacionário Miguel Milhão – dono da Prozis – e difundido em horário nobre, num canal generalista, no preciso dia da final da Taça de Portugal, momento em que milhões de pessoas estavam diante da televisão.

Esta peça audiovisual não é apenas uma provocação. É um ataque violento ao direito à Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), consagrado na lei portuguesa após décadas de luta, sofrimento e resistência das mulheres deste país. É uma tentativa infame de regressar ao tempo da clandestinidade, onde muitas mulheres perderam a vida ou sofreram traumas irreparáveis por não terem acesso a cuidados de saúde seguros, legais e gratuitos.

Sob uma estética encenada e melodramática, o vídeo manipula emocionalmente, distorce a realidade dos factos médicos e lança um julgamento moral torpe sobre as mulheres que decidem interromper uma gravidez. Ao fazê-lo, cria uma imagem falsa, grotesca e desumana do procedimento, como se se tratasse de um assassinato, como se uma mulher, ao decidir pelo aborto, estivesse a renegar a vida. Esta narrativa é abjeta, desonesta e perigosa.

Sabemos bem o que está em causa. Miguel Milhão é reincidente no discurso misógino, ultraconservador e antidemocrático. O seu projeto político e empresarial é profundamente hostil aos direitos das mulheres, à liberdade de escolha, à dignidade humana. Serve-se do poder económico para tentar impor uma visão fundamentalista e obscurantista sobre o corpo das mulheres – como se fôssemos propriedade do Estado, da religião ou do patrão. Não somos.

Mais insultuoso ainda é o facto de Milhão se autodenominar “Guru Mike Billions”, numa encenação egocêntrica digna sim de um guru de pacotilha, que se coloca num pedestal de pseudo-salvador moral enquanto cospe preconceito e ignorância com ar de iluminado. Usa o palco, o dinheiro e o nome como arma contra as mulheres, mas falhará.

A música e o vídeo “Obrigada Mãe” não têm qualquer inocência. São instrumentos de guerra cultural contra os direitos conquistados. E mais grave ainda: Foi transmitido em canal de televisão generalista, propriedade de grupos de comunicação social, com a conivência silenciosa das instituições e a complacência cúmplice de quem não tem vergonha em normalizar o discurso de ódio sob o disfarce da liberdade de expressão.
Não nos calaremos. Não nos renderemos. Não voltaremos atrás.

Reafirmamos que:
• O aborto é um direito!
• A maternidade não é obrigação, é escolha!
• A vida das mulheres vale mais do que o moralismo hipócrita de quem nunca levantou um dedo pela nossa saúde, pela nossa dignidade ou pela nossa liberdade!
• O corpo é nosso – e a decisão também!

Apelamos às mulheres, a todos os democratas, que erguerem a voz contra este tipo de campanhas. Não podemos permitir que se banalize a ofensiva ideológica da extrema-direita revanchista e misógina.

Cá estaremos, firmes e organizadas. Onde houver retrocesso, haverá luta.
Onde houver silêncio, faremos barulho..
Nem um passo atrás
O Movimento Democrático de Mulheres
26 de maio 2025