Notícias e Artigos

“No Mercy” promove violência sexual e misoginia

𝗠𝗗𝗠 𝗲𝘅𝗶𝗴𝗲 𝗿𝗲𝘀𝗽𝗼𝗻𝘀𝗮𝗯𝗶𝗹𝗶𝘇𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗮𝘀 𝗽𝗹𝗮𝘁𝗮𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮𝘀 𝘁𝗲𝗰𝗻𝗼𝗹𝗼́𝗴𝗶𝗰𝗮𝘀 𝗲 𝗮𝘃𝗮𝗻𝗰̧𝗮 𝗰𝗼𝗺 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗰𝗶𝗽𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗷𝘂𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗮 𝗖𝗼𝗺𝗶𝘀𝘀𝗮̃𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗮 𝗖𝗶𝗱𝗮𝗱𝗮𝗻𝗶𝗮 𝗲 𝗮 𝗜𝗴𝘂𝗮𝗹𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗱𝗲 𝗚𝗲́𝗻𝗲𝗿𝗼 (𝗖𝗜𝗚) 𝗲 𝗱𝗮 𝗣𝗿𝗼𝗰𝘂𝗿𝗮𝗱𝗼𝗿𝗶𝗮-𝗚𝗲𝗿𝗮𝗹 𝗱𝗮 𝗥𝗲𝗽𝘂́𝗯𝗹𝗶𝗰𝗮, 𝗰𝗼𝗺 𝘃𝗶𝘀𝘁𝗮 𝗮̀ 𝗿𝗲𝘀𝗽𝗼𝗻𝘀𝗮𝗯𝗶𝗹𝗶𝘇𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗼𝘀 𝗮𝘂𝘁𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗲 𝗮̀ 𝘀𝗮𝗹𝘃𝗮𝗴𝘂𝗮𝗿𝗱𝗮 𝗱𝗼𝘀 𝗱𝗶𝗿𝗲𝗶𝘁𝗼𝘀 𝗳𝘂𝗻𝗱𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗮𝘀 𝗺𝘂𝗹𝗵𝗲𝗿𝗲𝘀.

A existência de jogos como No Mercy, recentemente disponível na plataforma Steam, é reveladora de uma cultura que alimenta e normaliza a violência sexual contra as mulheres e raparigas, e com ela lucra economicamente.

Vivemos num sistema económico que transforma tudo em mercadoria e que, na sua lógica de maximização do lucro, não hesita em disseminar conceções que objetificam, mercantilizam e violentam as mulheres, ignorando e violando valores e direitos humanos fundamentais.

Num sistema que lucra com a exploração dos corpos das mulheres — seja através da prostituição, da pornografia ou da violência digital — este tipo de jogos não é um acaso, é um produto.

O referido “jogo”, apesar de não usar a palavra “violação” de forma explícita, constrói uma narrativa centrada na coação, na promoção da violação e na objetificação violenta das personagens femininas. Frases como “nunca aceites um não como resposta” e “torna-te no pior pesadelo de qualquer mulher” são suficientes para compreender a gravidade deste conteúdo profundamente misógino.

Mas não é o único. A lógica de mercantilização da violência sexual serve um modelo de dominação que alimenta o lucro de plataformas tecnológicas à custa da integridade, dignidade e segurança das mulheres.

É preciso deixar de compactuar com os gigantes tecnológicos. Quem promove, aloja ou lucra com conteúdos que alimentam a violência contra as mulheres deve ser responsabilizado, sem exceções.

Tal como o Movimento Democrático de Mulheres (MDM) tem reiterado, não basta indignarmo-nos perante estes ataques simbólicos e reais.

Nesse sentido, exigimos:

• Que os organismos públicos competentes tomem as medidas adequadas para interromper a proliferação de conteúdos que promovem e banalizam a violência contra as mulheres.

• A responsabilização das plataformas digitais que alojam, divulgam e lucram com este tipo de conteúdos;

• Uma resposta institucional firme, que proteja as raparigas e mulheres, em vez de legitimar o seu silenciamento.

Não aceitaremos que o sofrimento das mulheres continue a ser transformado em espetáculo e lucro.

É urgente uma política de tolerância zero à violência, nas ruas, nas casas, nos ecrãs.

Considerando que o conteúdo do videojogo em questão constitui, na nossa leitura, uma grave incitação à violência contra as mulheres, normalizando práticas de ódio e discriminação que violam princípios constitucionais e legais fundamentais, o MDM avançará com uma participação junto da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) e da Procuradoria-Geral da República, com vista à responsabilização dos autores e à salvaguarda dos direitos fundamentais das mulheres.

O virtual também é real. Não calamos! Indignamo-nos e exigimos soluções.