Intervenção de Ana Souto, do Secretariado Nacional do MDM no Encontro pela Paz “Pela Paz, todos não somos demais!”, que se realizou ontem, 20 de Outubro de 2018, no Pavilhão Paz e Amizade, em Loures
Para o Movimento Democrático de Mulheres a solidariedade é uma relação comprometida com a luta das mulheres e dos povos pela autodeterminação e independência. Representa o mais nobre relacionamento humano, demonstra a capacidade de entrega aos outros. A expressiva solidariedade entre as mulheres tem rosto de ternura entre os povos.
Radica numa história de luta abnegada de resistência ao fascismo e ao nazismo, contra o colonialismo e o apartheid, de mulheres que sabem o que é a prisão, a tortura ou que deram a vida a defender os valores da paz, a defender a independência de seus países contra a ingerência e controle de forças de um mundo capitalista e imperialista que usa a guerra e a exploração nas suas várias facetas.
O MDM e o mundo conhecem as violações e violências a que as mulheres são sujeitas nos territórios ocupados, em zonas de guerra ou conflitos, enquanto refugiadas. Mulheres e crianças usadas como “armas militares” nos conflitos, aumento de escravatura, violações de toda a espécie são realidades no mundo de hoje.
As mulheres do MDM são solidárias com estas mulheres e com aquelas que constroem nos seus países espaços de amizade, cultura, sonhos, que erguem os seus países das ruínas, que combatem a fome e a pobreza e todas as outras formas de opressão e de violência que recai de forma ainda mais dramática sobre as mulheres e as crianças.
As mulheres são imagem de coragem, de força, de resistência, elas são o rosto de quem vai em frente, ultrapassa barreiras, procura caminhos para os seus filhos, para suas famílias, fazem parte da luta dos seus povos.
Nos laços de amizade que se estabelecem entre as organizações de mulheres, nesta relação de comprometimento com a luta das mulheres e dos povos estamos solidárias com:
-as mulheres da América Latina que lutam nos seus países onde o imperialismo procura intervir, desestabilizando, fomentando guerras económicas e mediáticas, criando bloqueios;
-as mulheres do Vietnam que ainda lutam contra as marcas do colonialismo e das guerras, contra os efeitos dos ataques químicos e biológicos;
-as mulheres de África que sofrem o aumento de violências, de guerras fratricidas, de guerras de ocupação estrangeira, alastrando a fome e a destruição que levam a imensos fluxos migratórios de deslocados e de refugiados;
– as mulheres saharauis na sua luta contra a ocupação de Marrocos, pelo direito à libertação dos seus territórios ocupados e dos presos políticos saharauis , pelo cumprimento das resoluções das Nações Unidas que reconhece o direito do povo saharaui à autodeterminação;
-as organizações das mulheres árabes que querem ser felizes e viver em Paz, livremente, nos seus países independentes, sem ingerências estrangeiras, livres da ofensiva imperialista e sionista que sacode toda a região, em particular, a Síria, o Líbano, Iraque, Líbia, Iémen.
-a luta das mulheres da Palestina, que se entrelaça com a luta das mulheres árabes, pelo direito do seu povo construir um estado independente, na sua terra, com a capital em Jerusalém. Uma luta desigual, numa desproporção de meios por parte de Israel, que martiriza mulheres, homens e crianças diariamente, de forma impune pela comunidade internacional, com a destruição, com a morte, com as prisões.
São verdadeiras afrontas à dignidade humana, aos direitos humanos!
Para nós estas mulheres são heroínas nas suas lutas.
Estamos confiantes na grande força colectiva das mulheres que com a sua voz, a sua mobilização, o seu entusiasmo continuam a luta pela paz e pela liberdade das mulheres. É um dever que nos cabe desenvolver, evitar os perigos de guerra, de conflitos, mas é também um abraço de solidariedade com as mulheres do mundo inteiro.
A Paz é uma espécie de revolução…
A solidariedade é a ternura dos povos!
Pela Paz todos e todas não somos demais!
Loures, 20 de Outubro de 2018


